17 de ago de 2013

gosto não se discute

a primeira coisa que eu reparo num homem? a aparência, e não me venha dizer que você faz diferente, porque eu sei que não faz – ou melhor, é improvável que você faça, o discurso da beleza interior é, de fato, muito bonito, um mundo onde a despeitada seja tão valorizada quanto a peituda, onde a magrelinha seja tão valorizada quanto a gostosa, onde a nerd tímida seja tão valorizada quanto a popular é realmente ideal, tão ideal que, por enquanto, continua apenas no âmbito das ideias, em tempos de noitadas ébrias e de amores líquidos que se esvaem como água em ebulição, eu simplesmente não acredito em gente que cai nas graças da minha simpatia, é claro que toda simpatia tem o seu valor – afinal, poucas coisas na vida são tão gostosas quanto ser retribuído ao dar um sorriso, nem que seja a um estranho, mas dizer que a primeira coisa que você nota em alguém é a simpatia ou qualquer outro atributo que não seja físico é, no mínimo, passível de desconfiança, infelizmente – ou felizmente– nosso contato primordial com o mundo é visual, você olha as vitrines do shopping para então decidir o que vai comprar, você assiste a um filme debaixo das cobertas porque o recurso da imagem em movimento é deveras interessante, você está lendo este texto para depois processar as informações contidas nele, assim como, na balada, ambiente geralmente ensurdecedor e cheirando a gelo seco, você primeiro olha as pessoas antes de chegar naquelas que efetivamente o interessam – afinal, escolher pela percepção tátil ou palatal pode ser indelicado e até mesmo criminoso, vinícius de morais, certa vez, pediu desculpa às feias, alegando que beleza é fundamental, você o chamou de fútil, de preconceituoso, de raso, de injusto, mas o injusto foi você, que cometeu a maior injustiça do mundo ao se esquecer do detalhe mais importante dessa história toda: beleza é relativa, sua picanha pode ser friboi, mas sempre vai ter quem pira mesmo num coxão mole, seu tanquinho pode ser, assim, uma brastemp, mas sempre vai ter quem prefere se perder num tanque de cimento batido, seu olhar pode ser 43, aquele assim meio de lado, mas sempre vai ter quem prefere o charme inebriante de um olhar levemente estrábico, sem contar que beleza é apenas o chamariz – você pode ser o cara mais bonito do mundo, mas se achar que o seu carro é uma extensão do seu pênis, perdeu, playboy, você pode ser a menina mais gostosa da américa latina, mas se perder 80% do seu tempo cuidando dos seus belíssimos peitos, pode se tornar menos interessante do poderia ser, por isso, invista na beleza interior, mas jamais deixe de reconhecer o valor da sua beleza exterior, dos seus olhos azuis, ou dos seus olhos castanhos, da sua boca carnuda, ou dos seus lábios fininhos, do seu nariz de boneca, ou do seu nariz de batata, do seu cabelo liso e louro, ou dos seus cachos morenos, da sua cinturinha, ou da sua barriguinha, afinal, beleza é relativa, e vovó sempre dizia sabiamente, nos meus momentos de crise, que tem gosto pra tudo, se até jiló tem saída no mercado, quem sou eu pra não achar um sapato velho pro meu pé descalço?

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